Cultivo do Tomate – Controle de Pragas do Tomateiro: Fungos

Doenças do Tomate – Mela-de-rizoctonia (Rhizoctonia solani)

Essa doença do tomate ocorre durante a o período de floração, formação e maturação dos frutos no cultivo do tomate, quando a cobertura foliar na planta é maior. As hastes e folhas do tomateiro afetadas pela doença aparentam podridão mole e aquosa (mela), especialmente nas partes da planta do tomate que mantém contato direto com o solo. Os frutos do tomate doentes também apresentam a podridão amarronzada, mole e aquosa, coberta por um mofo marrom-claro (Figura 1). Para o manejo de pragas, aconselha-se: não plantar tomate em terrenos compactados ou sujeitos a encharcamentos, épocas e pontos favoráveis à proliferação da doença, trabalhar com uma densidade de plantas mais adequada, plantar cultivares de tomate preferivelmente mais eretas e controlar melhor a irrigação do solo, principalmente durante as fases de floração e frutificação.

Tomates com podridão marrom na superfície em contato com o solo

Frutos com podridão marrom na superfície em contato com o solo

Doenças do Tomateiro – Podridão-de-esclerotínia (Sclerotinia sclerotiorum)

Os sintomas do ataque dessa praga do tomateiro são mais aparentes na fase reprodutiva do pé de tomate. O fungo ataca as leguminosas, solanáceas, brássicas e outras famílias botânicas. A doença ocorre em reboleiras, identificada pelo secamento prematuro do do tomateiro. O fungo gera a “mela” das hastes e das folhas e, com a maturação da planta, o caule acaba por mostrar uma podridão seca, cor de palha (Figura 2), alojando, em sua parte interna, os escleródios com o formato de pequenos grãos pretos, comparáveis a fezes de rato (Figura 3). As frutas se mantêm fixos à planta atacada pela praga do tomate e dificilmente mostram sintomas de podridão. Os escleródiospossuem a capacidade de se manter viáveis por até 10 anos no solo. O ataque da doença no tomateiro é mais agressivo em plantações cultivadas em condições de temperatura mais amena (15 a 21 °C) e altos níveis de umidade. O praga é mais forte em terrenos com problemas de compactação, devido ao acúmulo de água, e em plantações muito densas, com baixa circulação de ar e com crescimento vegetativo vigoroso.

Pragas do Tomateiro – Mancha-de-estenfílio (Stemphyllium spp.)

Marcada pelo surgimento de manchas e pintas pequenas, escuras e angulares nas folhas da planta de tomate (Figura 4). Algumas pintas apresentam rachaduras no meio das lesões. Os sintomas iniciam seu surgimento nas folhas mais novas, diferente do que acontece com as manchas provocadas por Septoria e por Alternaria. O ataque rigoroso da doença provoca sérias queimaduras nas folhas do tomate, devida ao coalescimento das lesões e necrose das hastes. Os tomates não aparentam sintomas. Períodos de clima quente(acima de 25 ºC) e umidade elevada facilitam o ataque do fungo no tomateiro. O fungo se mamtém vivo de um ano a outro, obtendo nutrientes da matéria orgânica morta, em hospedeiros alternativos e nos restos da cultura de tomate . A doença do tomate também pode ser disseminada por meio da semente. Como medidas de controle de pragas, recomenda-se: plantar espécies de tomate mais resistentes, não permitir que aconteça desequilíbrio nutricional no pé de tomate e incorporar os restos culturais diretamente após a colheita.

Manchas necróticas pequenas nas folhas novas do tomateiro

Manchas necróticas pequenas em folhas mais novas da planta

Pragas do Tomate – Pinta-Preta (Alternaria solani)

Esta doença do tomateiro causa danos à toda a parte aérea da planta, partindo das folhas mais velhas e adjacentes ao solo. Na folha, a praga é caracterizada pelo surgimento de pintas escuras, grandes e circulares, com anéis concêntricos (Figura 6). O forte ataque da praga causa desfolha acentuada da planta de tomate e expõe o fruto à queima pelo sol. Além disso é comum o surgimento de cancro nas hastes, no colo (Figura 5) e nos frutos (Figura 7). A doença é beneficiada por altas temperaturas (24 a 34 °C) e níveis elevados de umidade. Os esporos do fungo permanecem nos restos da cultura do tomate e infectar ainda outras hortaliças como a berinjela e a batata, além de outras plantas invasoras como o juá-de-capote. A praga é pode também ser disseminada pelas sementes de tomate.

Não existem cultivares de tomate comerciais resistentes à doença. Deve-se portanto realizar a pulverização preventiva com os fungicidas registrados para essa praga. É recomendado também, que se incorpore os restos culturais imediatamente após a última colheita de tomate e praticar a rotação de culturas com gramíneas.

Doenças no Tomateiro – Murcha-de-verticílio (Verticillium dahliae)

O primeiro sintoma desta doença do tomate é a murcha suave e parcial do tomateiro nos períodos mais quentes do dia (Figura 8). As folhas mais antigas passam a ficar necrosadas e amareladas nas beiradas, em forma de “V” invertido. Os frutos do tomate tornam-se menores e mal formados. Na área do colo do caule, é percebível uma leve necrose vascular, não tão forte quanto a causada por F. oxysporum f. sp. lycopersici. A praga é bem adaptada a regiões de solo neutro ou alcalino e com clima ameno (20 a 24 °C). Entretanto, há relatos de sua ocorrência no Estado de Pernambuco, onde as médias de temperatura são comumente altas. O fungo se mantém no solo por mais de oito anos através de seus microescleródios e infecta mais de 200 plantas de tomate hospedeiras. Como medidas de manejo da praga, recomenda-se plantar espécies de tomate resistentes e realizar a rotação da cultura com gramíneas.

Murcha-de-verticílio: Tomateiro murcho, com folíolos com amarelecimento das bordas

Tomateiro murcho e com folíolos com amarelecimento das bordas, em forma de V

Pragas no Tomateiro – Murcha-de-fusário (Fusarium oxysporum fsp. lycopersici)

Plantações de tomate atacadas por esta doença demonstram murcha das folhas da parte de cima da planta, especialmente em períodos mais quentes do dia. As folhas do tomateiro mais velhas passam a apresentar aparência amarelada e, habitualmente, é possível notar murcha ou amarelecimento em somente um lado da folha ou da planta (Figura 9). Os frutos de tomate não se desenvolvem, atingem a maturação ainda pequenos e ocorre a diminuição da produção de tomates. Ao podar o caule perto das raízes, pode-se verificar necrose no sistema vascular (Figura 10). Climas quentes (em torno de 28 °C),  terrenos mais arenosos e alcalinos, e o ataque de nematóides favorecem a doença do tomate. O fungo permanece no terreno por longos períodos, superiores a sete anos, particularmente por meio de microescleródios (estrutura de resistência do fungo). As medidas de manejo e controle de pragas são: plantar cultivares de tomate resistentes às raças do patógeno, não realizar o plantio em áreas notadamente infestadas pela praga e/ou por nematóides causadores de doenças do tomateiro e praticar a rotação de cultura com gramíneas.

Doenças no Tomate – Podridão-de-esclerócio (Sclerotium rolfsii)

Plantas de tomate doentes mostram uma podridão mole e aquosa, essencialmente nas folhas, hastes e frutos, que mantém contato direto com o solo (Figura 11). Em condições de umidade elevada, acontece um crescimento micelial muito forte, de aspecto branco, similar aos fios de algodão, na superfície dos tecidos atacados pela praga. Em alguns casos o micélio em questão se desenvolve na superfície do solo, perto do pé de tomate. Também é acontece muito o surgimento de grânulos menores, de cor marrom-clara (escleródios) nos tecidos afetados. O escleródio é uma forma de manutenção do fungo no solo anos a fio. A  doença do tomateiro é comum em períodos de clima quente (30 a 35 °C) e chuvoso, em áreas de cultivo de tomate realizado em solos altamente argilosos e/ou compactados, gerando encharcamento do solo. Excesso de cobertura foliar, solo molhado e o  contato do tomate com o solo facilitam o ataque da doença.

Tomate com podridão na região do pedúnculo: Pinta Preta

Tomate com podridão na região do pedúnculo

Pragas no Tomate – Septoriose (Septoria lycopersici)

Essa doença é caracterizada pela presença de manchas pequenas no tomateiro, esbranquiçadas, circulares, com pontuações negras (picnídios) no centro da área atacada nas folhas (Figura 12). no princípio a praga infecta as folhas mais velhas do tomateiro. O fortalecimento do ataque causa também danos às hastes, cálice e pedúnculo da planta; porém, os frutos tomate se mantêm sadios. A presença do fungo é mais severa nas culturas de tomate feitas em épocas mais quentes (25 a 30 °C) e chuvosas do ano, mas ataques graves podem acontecer também no período seco, caso haja bastante incidência de orvalho ou excesso de abertura dos sistemas de irrigação. O fungo sobrevive nos restos do plantio de tomate e pode ainda ser disseminado por meio das sementes. Várias solanáceas atuam como hospedeiras alternativas da praga, dentre elas a berinjela e a batata. A pulverização preventiva com o uso de fungicidas registrados para a doença deve ser realizada nas épocas certas. Lembrando que a rotação de cultura com gramíneas e a incorporação dos restos da cultura imediatamente após a última colheita do tomate é vital.

Folhas do Tomateiro com manchas arredondadas, com o centro mais claro

Folhas do Tomateiro com manchas arredondadas, com o centro mais claro

Doenças do Tomateiro – Requeima (Phytophthora infestans)

A requeima é uma praga do tomateiro responsável pelo surgimento de manchas grandes, escuras e encharcadas nas folhas do pé de tomate (Figura 13) e nas brotações (Figura 14). Na superfície inferior do ataque nas folhas, normalmente, observa-se o surgimento de mofo pulverulento e esbranquiçado. Nos tomates, a podridão é dura, de aspecto marrom-escuro. O ataque severo gera grande aumento na queda de folhas e a podridão dos frutos (Figura 15). A doença do tomate é favorecida em períodos de temperatura amena e clima úmido. É comum o surgimento de Epidemias em épocas relativamente quentes ou em regiões secas, desde que a temperatura noturna permaneça em torno de 18 a 22 °C por longos períodos de tempo e a umidade do ar apresente níveis elevados(acima de 90%). Não é recomendável plantar tomate em locais de clima úmido e frio, sujeitos a excesso de orvalho e neblina. Deve ser feita a pulverização preventiva em períodos e terrenos com clima favorável à disseminação da doença, em áreas onde a requeima é presente de forma endêmica, ou logo no início do aparecimento dos primeiros sintomas.

com baixa circulação de ar

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