Controle de Carrapatos do Rebanho na Criação de Gado

Criação de Gado Leiteiro Sadio: Combate aos Carrapatos Bovinos

Uma das doenças do gado mais importantes que afeta os rebanhos bovinos é a carrapatose. É doença que causa enormes prejuízos e grande desconforto para os animais, prejudicando assim o desenvolvimento e a produção bovina. Os carrapatos, além dos problemas que normalmente causam, transmitem doenças que afetam de forma drástica o animal. Estas doenças são a babesiose e a anaplasmose que fazem parte do complexo tristeza parasitária bovina.

Um grande agravante no combate aos carrapatos bovinos é que so mesmos não podem ser eliminados do rebanho, porque apesar de transmitirem a tristeza parasitária são eles que mantêm os níveis de anticorpos contra a doença. Os carrapatos inoculam constantemente os agentes da tristeza parasitária bovina e então estes estão sempre sendo estimulados a produzir anticorpos contra a tristeza parasitária. Por outro lado, é de suma importância que nossa vigilância esteja sendo levada com seriedade , pois em qualquer descuido a população de carrapatos pode aumentar de forma a levar alguns animais à morte.

Doenças do Gado: Carrapato na Criação Bovina

Doenças do Gado: Carrapato na Criação Bovina

É comum em propriedades descontroladas estarem os animais tão afetados que começam a emagrecer, não ter o rendimento esperado, chegando ao extremo de morrerem. Uma proposta de controle de parasitas é o estratégico, que consiste em banhar os animais de forma a não deixar o desenvolvimento de teleóginas por um período de 120 dias. No Sudeste este controle de parasitas deve ser realizado na época de maior calor, que coincide com a época das chuvas, quando aumenta também a umidade relativa. A partir de dezembro, começa um pico de crescimento do carrapato que deve ser combatido por banho carrapaticida.

Banho Carrapaticida no Controle de Carrapatos no Gado

As formas de dar banho carrapaticida podem variar com o produto. Geralmente, o banho por aspersão requer em torno de quatro a cinco litros de solução por animal adulto. O animal tem que ser molhado totalmente desde a cauda até a ponta do focinho. Um dos grandes problemas que encontramos no banho carrapaticida é que nas partes baixas e nas reentrâncias da pele muitas vezes não ficam bem molhados e os carrapatos que ali estiverem não sofrerão os efeitos do veneno. Estes carrapatos vão se desenvolver e contaminarão as pastagens, prejudicando de forma drástica o controle de carrapatos.

Este tipo de banho carrapaticida deve ser realizado a cada 21 dias, com um total de cinco a seis banhos. Este combate deve cobrir um período de 120 dias, sem que haja desenvolvimento de teleóginas. Este banho pode ser dado por aspersão ou “pour-on”. Se o carrapaticida bovino utilizado tiver maior tempo residual, estes banhos podem ser mais espaçados com intervalos de 35 dias. O importante é combater os carrapatos de maneira que não permita o desenvolvimento de teleóginas.

Quando formos banhar o rebanho, devemos atingir todo o contingente no menor espaço de tempo. Por exemplo, não é recomendado que se banhem os animais solteiros numa semana e os gados de leite na semana seguinte. Além de termos um controle muito trabalhoso, pode haver a possibilidade de um animal banhado trocar de lote e ser o contaminador daquele pasto. O ideal é que se banhe todo o rebanho no máximo em três dias.

Manejo do Gado Correto para o Banho Carrapaticida

Um dos grandes problemas que encontramos nas propriedades é a forma de se dar o banho carrapaticida. Quando se faz uso de aspersores, os costais têm uma capacidade para 20 litros de calda, que daria para banhar entre quatro e cinco animais; no entanto, temos visto que nas propriedades com esta mesma quantidade de calda o funcionário banha até 40 animais. Conclui-se que este banho foi mal dado, porque a bomba é pesada; conseqüentemente, o trabalho realizado pelo operador é pesado e, por este motivo, os três primeiros animais têm banhos melhores, mas logo o operador fica cansado e não consegue trabalhar adequadamente, fugindo do objetivo.

É muito comum neste caso as pessoas reclamarem do produto e muitas vezes trocá-lo, sem se preocupar com o princípio ativo que pode, com freqüência, ser o mesmo que o anterior. Às vezes, no segundo banho carrapaticida com o mesmo produto, o operador consegue melhor sucesso mas quando se procura saber o porquê, simplesmente houve maior capricho no banho carrapaticida.

Um agravante ao se combater carrapatos bovinos é que nesta época é que se tem a maior precipitação pluviométrica. Quando os animais tomam banho carrapaticida e logo após são atingidos por uma chuva, dependendo da qualidade do  , este é lavado e perde o efeito. Neste caso, o controle é interrompido e não se alcançam os resultados esperados. Este é um dos grandes causadores de insucesso do combate estratégico aos carrapatos bovinos. Outro que se deve chamar a atenção, é que os banhos não foram dados de forma adequada tanto em quantidade quanto em qualidade, não atingindo todos os pontos do corpo do animal. Há uma variação enorme da quantidade gasta pelos proprietários para banhar seus rebanhos. Esta quantidade varia de meio litro até oito litros por animal. Como se há de convir, com meio litro de calda não é possível banhar todo um animal adulto. Por outro lado, oito litros para banhar um animal está se desperdiçando o produto.

Outra forma de agir das pessoas é a troca constante de base medicamentosa sem critério. Isto ocorre sempre quando não se tem sucesso com os tratamentos, então, troca-se por outra base mas o problema continua sendo a falta de qualidade do banho carrapaticida dado.

Todos estes cuidados devem ser observados na hora de planejar o controle de pragas estratégico. Qualquer erro em qualquer fase pode comprometer seriamente o sucesso.

Combate de Verminoses no Manejo de Gado

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